A artrose no quadril, também chamada de coxartrose, é o desgaste progressivo da cartilagem entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (a “bacia” que forma a articulação do quadril), atingindo cerca de 10 milhões de brasileiros. O principal sintoma é a dor na virilha, que pode irradiar para a coxa ou o joelho, acompanhada de rigidez matinal e dificuldade progressiva para caminhar, agachar ou calçar sapatos. É mais comum em mulheres e em pessoas acima de 60 anos, mas pode surgir em adultos jovens por fatores hereditários, traumas ou alterações mecânicas do quadril. O tratamento vai desde mudanças de hábito e fisioterapia até a artroplastia (prótese de quadril) nos casos mais avançados.
1: O que é a artrose de quadril e por que ela acontece
O quadril é formado pela cabeça do fêmur encaixada no acetábulo, revestidos por uma cartilagem que permite o deslizamento suave entre os ossos durante a marcha. Na artrose, essa cartilagem se desgasta progressivamente, reduzindo o espaço articular e levando ao atrito direto entre as superfícies ósseas, o que causa dor e perda de mobilidade.
A artrose de quadril é uma doença multifatorial — ou seja, raramente tem uma única causa. Entre os principais fatores de risco estão:
- Idade: o desgaste natural da cartilagem aumenta com o tempo
- Fatores hereditários e hormonais
- Obesidade e sobrecarga articular
- Traumas locais, como fraturas ou luxações prévias
- Displasia do desenvolvimento do quadril, uma alteração estrutural que já começa na infância
- Impacto femoroacetabular, quando há um encaixe inadequado entre os ossos
Diferente do que muitos pacientes imaginam, a dor da artrose de quadril raramente começa “no quadril” propriamente dito — ela costuma se manifestar na virilha ou na parte da frente da coxa, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico correto, já que o paciente procura inicialmente um especialista em coluna ou joelho.
2: Sintomas e sinais de alerta
Reconhecer os sintomas precocemente é fundamental para retardar a progressão da doença. Os principais sinais são:
- Dor na virilha que piora com esforço e melhora com repouso nas fases iniciais
- Rigidez matinal que geralmente cede em menos de 30 minutos
- Perda progressiva da rotação interna do quadril
- Claudicação (mancar) ao caminhar
- Dificuldade para calçar sapatos, cortar as unhas dos pés ou cruzar as pernas
- Em fases avançadas, dor mesmo em repouso e durante a noite
É importante destacar que a intensidade da dor nem sempre corresponde ao grau de desgaste visto na radiografia: há pacientes com desgaste avançado e pouca queixa, e outros com alterações discretas e dor importante. Por isso, a avaliação clínica do ortopedista é tão importante quanto o exame de imagem.
3: Diagnóstico e tratamento, do conservador à cirurgia
O diagnóstico é feito na consulta médica, com exame físico detalhado somado à radiografia simples da pelve e do quadril — o principal exame para confirmar a artrose, identificar seu grau e planejar o tratamento. A ressonância magnética pode complementar a investigação em fases iniciais, quando a radiografia ainda não mostra alterações evidentes.
Nas fases iniciais, o tratamento é conservador e inclui:
- Perda de peso, quando há sobrepeso associado
- Fisioterapia para fortalecimento muscular e manutenção da mobilidade
- Atividades de baixo impacto, como hidroginástica e pilates
- Analgésicos e anti-inflamatórios para controle dos sintomas
- Infiltrações articulares em casos selecionados
Nas fases avançadas, quando a dor limita significativamente a qualidade de vida e o tratamento conservador não é mais suficiente, a artroplastia total do quadril (colocação de prótese) é a opção mais indicada. É uma cirurgia consolidada, com décadas de evolução técnica, que proporciona alívio expressivo da dor e retorno à mobilidade na grande maioria dos pacientes bem indicados.
A decisão pela cirurgia leva em conta a idade do paciente, o nível de dor, o grau de desgaste articular na imagem e a resposta ao tratamento clínico prévio — por isso é sempre individualizada.
Prevenção
Embora nem toda artrose de quadril possa ser evitada, principalmente quando há componente hereditário ou estrutural, é possível retardar significativamente sua progressão. Manter o peso adequado, fortalecer a musculatura ao redor do quadril, evitar sobrecargas repetitivas e tratar precocemente alterações estruturais (como a displasia ou o impacto femoroacetabular) são medidas que fazem diferença real na qualidade de vida a longo prazo. E o mais importante: dor persistente na virilha não deve ser interpretada apenas como “coisa da idade” — é sinal de que vale a pena investigar.
FAQ
1. Dor na virilha é sempre sinal de artrose de quadril?
Não necessariamente, mas é um dos sintomas mais característicos. Dor na virilha que piora com esforço e vem acompanhada de rigidez matinal e perda de mobilidade merece avaliação com ortopedista especialista em quadril.
2. Artrose de quadril tem cura?
Não há cura para o desgaste da cartilagem já instalado, mas há tratamentos eficazes para controlar a dor e retardar a progressão nas fases iniciais, e a cirurgia de prótese resolve o problema de forma definitiva nos casos avançados.
3. É possível ter artrose de quadril sendo jovem?
Sim. Embora seja mais comum após os 60 anos, fatores como displasia do desenvolvimento do quadril, impacto femoroacetabular e traumas prévios podem levar à artrose precoce em adultos jovens.
4. Quando a cirurgia de prótese de quadril é indicada?
Quando a dor limita significativamente as atividades do dia a dia e não há mais resposta satisfatória ao tratamento conservador (fisioterapia, medicação, mudança de hábitos), considerando também o grau de desgaste visto nos exames de imagem.
5. Exercício físico piora a artrose de quadril?
Não, pelo contrário: atividades de baixo impacto e o fortalecimento muscular orientado ajudam a proteger a articulação e reduzir a dor. O que deve ser evitado são atividades de alto impacto sem orientação, especialmente em fases mais avançadas da doença.
Conteúdo escrito com orientação do Dr. Samir Hussein, Médico Ortopedista — CRM-SP: 177723 | RQE: 86002.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada. Cada caso deve ser analisado considerando o histórico e as particularidades de cada paciente.
Quer avaliar a saúde das suas articulações e receber um plano de prevenção personalizado?
Agende sua avaliação pelo WhatsApp: (11) 99293-3684


